sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Relógio biológico (ou o ritmo da mãe natureza)

Há cinco meses que não uso relógio… Ou porque faz calor, ou porque os horários não se cumprem… Na verdade, porque não é preciso… Porque o ritmo aqui é outro, e não é ditado pelo calendário… Eis como funciona:

- Acordo facilmente com os primeiros raios de sol, que iluminam e aquecem a casa;

- No campo, começamos o trabalho quando as mamãs regressam das machambas, expulsas pelo calor, inimigo da enxada. Terminamos a ronda quando o calor nos expulsa também;

- Há outros dias em que o trabalho é ditado pelos horários dos mosquitos que, depois das 10, não se deixam caçar… Diz que têm calor, voltam mais tarde…

- As pausas de um dia de trabalho são ditadas pela fome;

- Falta pouco para anoitecer quando o escritório começa a ficar vazio;

-  Não se trabalha durante vários dias por causa chuva... A semana passada, no regresso do passeio de fim-de-semana, foi impossível chegar a Chókwè… As chuvas dos últimos dias (e os desgraçados dos ciclones Dando e Funso!) encheram os rios que, não satisfeitos com as inundações que causaram (e a destruição que deixaram depois, de casas e campos de cultivo), ainda levaram uma estrada por aí fora… Literalmente, 60 metros da principal estrada do país levados pela água, deixando-o dividido, e deixando 10000 pessoas suspensas nos arredores, bem como o abastecimento de bens, principalmente de Maputo para o resto do país. Entretanto foram atravessados de barco, até à reposição da estrada três dias mais tarde, quando também nós conseguimos chegar ao lado de cá, e a casa.

O antes (foto que saiu num jornal)...

 ...e o depois, quando passámos...

Entretanto, sob a ameaça de um outro dilúvio, e de olho nas previsões meteorológicas, trabalhamos dentro da normalidade possível em época de chuvas e muito calor. Pelo sim, pelo não, a mala está feita…

3 comentários:

Mãe disse...

Olá filhota:
Uma realidade tão diferente da que temos todos aqui não é?
Vive-a com prazer, não vais esquecer nunca mais.
Xi apertado

Anónimo disse...

Ola Inês!!!
Estas imagens fazem me lembrar ao mar da Vagueira quando levou a estrada que faz ligação Vagueira/Areão :/ deixando me aterrorisada com efeitos secundários... :p
Um beijinho grande da Tia Sandra :)

effetus disse...

Isso é o rio que transbordou, ou são apenas poças de água da chuva?
E os crocodilos? LOL...
Beijo.
Pai.