Continuo empenhada em aprender
changana, o dialecto desta zona de Moçambique. "No funda a ku kuluma chi
changana" que
é como quem diz "estou a aprender a falar changana". Mas isso é coisa para
ir fazendo aos poucos (difííícil!), e se não esquecer tudo o que aprendi até hoje já me dou
por contente!! Valha-me o caderno onde, constantemente gozada, fui registando
frases soltas...
Mas há outra língua que se fala
por aqui, e que não precisa de auxiliares de memória, porque se entranha e se
torna um hábito... o moçambiquês. Ficam aqui alguns exemplos de como a mesma
língua pode, parecendo que não, ser mais fácil!! Eu, que adoro sotaques, já adoptei muitas, mas espero continuar a aprender... as duas!
"Afinal?" - com entoação
de espanto, significa "Ai sim??". Deve acentuar-se o "a"
inicial, dando-lhe um toque mais africano...
"Ainda" - a forma mais
que perfeita de dizer "ainda não". Exemplo: -Já chegaram? -Ainda!
"O mês antepassado" - o
anterior ao mês passado...
"Esta rua vai sobressair na
rua principal" - óbvio!
"Primeira sorte" - o
primeiro filho, seja homem ou mulher, que vai substituir o pai na
responsabilidade pelos irmãos. É uma tradução do changana "matevula".
"Era antes" - esta é
uma expressão difícil até de explicar, sendo que nem com bons exemplos se
consegue que faça muito sentido... É uma forma mais rebuscada de dizer
"ainda!". Exemplo: -Já compraste pão? -Não, era antes..."
"Matabichar" - tomar o
matabicho, vulgo pequeno almoço.
"Desconseguir" e
"desperceber" - Na mesma onda do "ainda", para quê dizer
"não consegui" ou "não percebi"?? Desnecessário!
"Djobar" - apenas um
exemplo da influência exercida pelos países vizinhos, onde trabalha uma boa
parte da população moçambicana. Frases comuns: "Ya brada, estou maningue
bizz a djobar...", "sabes de um sítio nice para chillar em
Maputo?".
O cumprimento mais comum:
"-Boa tarde, boa tarde, obrigada! Tudo bem?"
"-Tudo bem, nada mal, obrigada. Não sei de seu lado...?"