sexta-feira, 15 de junho de 2012

E finalmente... Cape Town!

Foi já há algumas semanas que nos armámos em descobridores e rumámos ao Cabo! O da Boa Esperança e a cidade propriamente dita, maravilhosa, por sinal! Tormentas passámos para lá chegar, que isto parece tudo pertinho, mas são quase 2000Km!! Primeiro, 9 horas de autocarro até Joanesburgo, depois um vôo de duas horas, mas que valeram todo o desespero...
De repente, estamos noutro mundo... Ao contrário de Joanesburgo, uma cidade cinzenta (castanha, até...) e insegura, a Cidade do Cabo é lindíssima. Espalhada entre montanhas e o mar (chamam-lhe o Rio de Janeiro africano!), tem um charme especial: misturam-se a zona nova, de edifícios espelhados e centros de congressos, com bairros típicos e ruas pedonais movimentadas. E ao lado, como qualquer cidade portuária, a marina que atrai a vida nocturna, bons restaurantes, e compras (que fazem brilhar os olhos de uma habitante do Moçambique profundo...)


Vasco da Gama na zona moderna da cidade...




O bairro Boo Kap, tradicionalmente muçulmano.



E Waterfront, onde se comem as melhores spare ribs de sempre!!



Impunha-se também uma perspectiva histórica da África do Sul, uma lição, e a visita ao local onde parte dela se passou. E é mesmo desta zona, Waterfront, que sai o barco para Robben Island. Ali fica a cadeia onde, durante 18 anos (dos 27 totais), Nelson Mandela cumpriu pena pela defesa do fim do regime do apartheid. Guiados por um ex-prisioneiro, o que nos leva um pouqinho mais perto da realidade, conhecemos as rotinas e imposições do dia-a-dia de então. 





Num reencontro de ex-prisioneiros, na pedreira onde trabalharam durante o tempo em que estiveram presos na ilha, Nelson Mandela afastou-se do grupo e colocou uma pedra no chão. O grupo seguiu-o, e o simbólico monte ainda lá está...

Da ilha vê-se a Cidade do Cabo, mas a montanha de mesa insistiu em não tirar a toalha durante o tempo em que lá estivemos...

A viagem até ao cabo propriamente dito ainda é longa, mas com paragens obrigatórias, e que fazem de 50 quilómetros uma viagem para um dia inteiro. Esta é uma zona vinícola famosa, por isso a primeira paragem foi numa quinta - Groot Constantia. Eram 10 da manhã, mas...
... entendida no assunto...

... provámos tudo!


(e alguém vê o esquilinho??)

Seguindo caminho pela costa, a praia de Muizenberg,

A praia de Boulders, onde uma colónia de pinguins africanos resolveu assentar arraiais...


E eis-nos chegados ao Cabo da Boa Esperança! Por perto, a praia Dias (ou a Da Gama, já não sei...mas há as duas!), parecem dar alguma importância à presença portuguesa naquele sítio...


...mas, chegados ao cimo (e já sem fôlego!), nadinha... nem uma referência, nem um obrigado... 


Mas o entusiasmo era tanto que decidimos fazer nós a festa, deixando claro a todos os que passavam que aquele era um momento muito nosso e, sem vergonhas, passámos à edificação de um monumento alusivo, ao estilo Padrão dos Descobrimentos...A ideia era que aqui se juntavam os dois oceanos, mas afinal diz que não....

E lá em baixo, para não esquecer...
É nosso, carago!!!!
A despedida da Cidade do Cabo foi feita com um jantar "volta a África em 15 pratos"...

Com direito a pinturas típicas!

Já na saga de regresso a casa, nas muitas horas de espera em Joanesburgo, resolvemos dar uma segunda hipótese à cidade que nos havia parecido tão cinzenta... De guia e táxi privados, começámos por uma visita a um parque de leões... Um sítio claramente virado para o turismo, e onde a vida selvagem tem pouco de sensação de liberdade, mas, para quem nunca tinha visto um leão de perto, ter a possiblidade até de lhe mexer tinha que ser aproveitada...

As casas de banho do parque




Também havia chitas!
E a imeeeeeeeeensa vontade de trazer um para casa...

Depois uma volta de reconhecimento, primeiro pelo Soweto, e o seu novo estádio (para o mundial das vuvuzelas...),


...e depois o Museu do Apartheid, onde somos levados a experimentar um pouco do que foi a história deste país dividido... a começar pela entrada...

Enfim, uma grande viagem! Aqui ao lado, mas um país tão diferente... Onde será o próximo passeio? ;)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Fins de semana de Inverno

Sim, o Inverno já começou por aqui... Já está um cobertor na cama, a água para o banho já tem que ser aquecida há muito, e já uma ou outra manga comprida viu a luz do dia!! E o que é que se faz num tranquilo e invernoso fim de semana em Chokwe?

Empadinhas de galinha...
 Flores e mais flores...
E mais flores...

Ah, mas espera lá, isto é África... é um Inverno de luxo...!! Bilene!



Onde esteve frio, e muito, foi na Cidade do Cabo. Mas valeu bem a pena descer até ao Inverno rigoroso do ponto mais a sul do continente africano. Muitas fotos, em breve...

terça-feira, 15 de maio de 2012

Pragmatismo...

Um dia destes, a jantar numa esplanada em Chokwe, encontrei uma mosca na sopa. Ao pedir para a levarem de volta, diz-me a senhora:
-Ah, mas não entrou aqui?? É que se caiu aqui fora o patrão não aceita devolver...
(-Olhe, diga-lhe que a mosca está cozida...)

sábado, 5 de maio de 2012

Como é dura a vida de mulungo...

Em conversa com uma das técnicas com que faço trabalho de campo, diz ela, referindo-se a uma mãe e seus 8 porquinhos pretos:
- Ah, mas estes não são bons para comer... estás a ver o nariz comprido demais... e vê-se logo pela cor que não são bons...
E eu - Mas então quais é que são bons? (sabendo como é raro comerem porco e que estes são os mais comuns pelas aldeias...)
- Têm o nariz mais achatado, e são vermelhos...
E eu: - Como assim, vermelhos??
- Não é bem vermelho, é clarinho, é cor de porco...! Olha, assim como tu...

sábado, 14 de abril de 2012

Férias - parte II

Depois de muitos quilómetros, e outros tantos contratempos, chegámos a Chókwè. As visitas quiseram saber onde eu vivo, em que condições, e com quem trabalho. Assim, tiveram a oportunidade de experimentar de tudo:

Houve festa com os colegas...



Um pôr do sol na barragem de Macarretane...

E um alojamento de luxo onde, apesar de não sair pela torneira, havia água quente...!

Dali partimos em direcção às praias! Primeiro, o Bilene...
 



E depois, passando pela lagoa de Quissico...

...até à praia do Tofo, em Inhambane.

 Simpatia e originalidade não faltavam no nosso alojamento! Já energia...

E por aqui se passaram os dias seguintes...





Depois do descanso, foi a contagem decrescente para o regresso. Muitos quilómetros até Maputo, compras de última hora, e as difíceis depedidas... apenas sinal de que foi tão bom que não queríamos que acabasse...
Então, as guias estão cá, há muitos sítios para descobrir, e muitos meses pela frente... quem marca a viagem a seguir??

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Férias - parte I

E pronto, acabou-se o que foi bom... As visitas já regressaram, ao que parece foram satisfeitas, e eu voltei a Chókwè, directamente para a semana de caça aos mosquitos! E levantar às 4 da manhã faz com que sobre pouco de mim no resto dos dias, por isso esperei até ao fim de semana para repôr a ordem de tudo cá em casa, e fazer o álbum fotográfico da aventura.
Esteve calorzinho do bom, sem ser daquele insuportável, e a diferença fez-se sentir logo à saída do avião... botas? casacos e cachecóis?


Mas o calor que realmente conta é o de ter as visitas por perto, aqueles bocadinhos de nós que ficaram lá longe, e as saudades dos últimos meses atenuadas! Devia ser assim todos os meses... Que venham os próximos..!
A mala delas vinha preparada para as diferentes partes da aventura: um pequeno safari Sul-Africano – Blyde River Canyon e Kruger Park; civilização – Chókwè; praia – Bilene e Tofo; e mais civilização – Maputo. Lá pelo meio vinham uns maravilhosos extras, para que a sensação de estar de novo em casa se prolongue para além das suas estadias: bacalhau, alheiras, presunto, amêndoas e folar da Páscoa, biscoitos, presentinhos, revistas... mimos raros por estes lados, e que vão fazer as delícias dos próximos tempos (muitos, porque há que gozar bem cada um deles!)
Então sobre a primeira parte da viagem:

Carro onde cabem 6 mulheres tem que dar para 6 (??) malas, daí o nosso ser mais um pequeno autocarro (e tantos problemas nos deu...)

Pelos caminhos da "Panorama route", assim é a África do Sul...


E já no Blyde River Canyon, que é o terceiro maior canyon do mundo, as Lisbon falls,

...e as Berlin falls...

O difícil (mas promissor) caminho...


...até God's window!

Os Bourke's luck potholes!


E o Kruger park, que nunca desilude...




E onde vimos, finalmente, um "gato"...

Um leopardo, a lamber os bigodes, após a refeição.

O rio Olifants, visto do campo onde ficámos alojadas.

E mais alguns habitantes...


Este macho seguia atrás de uma grande família, e parou várias vezes para nos mostrar de quem era, afinal, esta estrada...
"-Parece que ainda não percebeste que quem manda aqui sou eu... beeeeemmm..."

O caminho até Chókwè não ficaria completo sem mais uma aventura, fruto das condições duvidosas em que nos entregaram o carro...
Mas a verdade é que, quando chegou a ajuda, já tínhamos mudado o pneu! Ah e tal, isto parece que encaixa aqui, o pneu deve estar mais ou menos por aqui, uma puxa, a outra descobre mais uma alavanca, e pronto! Mais do que músculos, 5 cérebros a trabalhar em conjunto!

E a viagem ainda não ia a meio...! :)
Amanhã há mais!

Frio?

    Há uns anos, quando fui viver para a Alemanha, preparei-me com um mini-dicionário ilustrado de alemão. O que aprendi não foi suficiente para evitar estar em frente à prateleira dos congelados, dicionário na mão, à procura de outra coisa para além de schnitzel... Ou à frente da máquina de lavar roupa, dicionário na mão, mãe ao telefone, a escolher tecido e temperaturas de lavagem adequados... Mas houve uma frase que deixei para trás, porque tinha a certeza de que não ia precisar dela: "Está um lindo dia de sol!". Arrependi-me, porque afinal o sol chegava a Wolfenbüttel, e quem não chegou foi a schnee...
    Para o changana não há dicionários ilustrados, e a única gramática que há é tão grande e complicada que cansa só de olhar... Mas eu fui construindo o meu pequeno auxiliar de memória, que tento rever a cada vez que lá vou acrescentar mais alguma coisa. E desta vez, lição aprendida, não desprezei situações pouco prováveis! Esta semana, pela primeira vez desde que cheguei, pude dizer "Ni twa xirami...".

     Parece que começou o inverno... mas um inverno sem lareira, sem casacos, sem chuva, sem cachecóis e sem gripes...