sábado, 14 de abril de 2012

Férias - parte II

Depois de muitos quilómetros, e outros tantos contratempos, chegámos a Chókwè. As visitas quiseram saber onde eu vivo, em que condições, e com quem trabalho. Assim, tiveram a oportunidade de experimentar de tudo:

Houve festa com os colegas...



Um pôr do sol na barragem de Macarretane...

E um alojamento de luxo onde, apesar de não sair pela torneira, havia água quente...!

Dali partimos em direcção às praias! Primeiro, o Bilene...
 



E depois, passando pela lagoa de Quissico...

...até à praia do Tofo, em Inhambane.

 Simpatia e originalidade não faltavam no nosso alojamento! Já energia...

E por aqui se passaram os dias seguintes...





Depois do descanso, foi a contagem decrescente para o regresso. Muitos quilómetros até Maputo, compras de última hora, e as difíceis depedidas... apenas sinal de que foi tão bom que não queríamos que acabasse...
Então, as guias estão cá, há muitos sítios para descobrir, e muitos meses pela frente... quem marca a viagem a seguir??

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Férias - parte I

E pronto, acabou-se o que foi bom... As visitas já regressaram, ao que parece foram satisfeitas, e eu voltei a Chókwè, directamente para a semana de caça aos mosquitos! E levantar às 4 da manhã faz com que sobre pouco de mim no resto dos dias, por isso esperei até ao fim de semana para repôr a ordem de tudo cá em casa, e fazer o álbum fotográfico da aventura.
Esteve calorzinho do bom, sem ser daquele insuportável, e a diferença fez-se sentir logo à saída do avião... botas? casacos e cachecóis?


Mas o calor que realmente conta é o de ter as visitas por perto, aqueles bocadinhos de nós que ficaram lá longe, e as saudades dos últimos meses atenuadas! Devia ser assim todos os meses... Que venham os próximos..!
A mala delas vinha preparada para as diferentes partes da aventura: um pequeno safari Sul-Africano – Blyde River Canyon e Kruger Park; civilização – Chókwè; praia – Bilene e Tofo; e mais civilização – Maputo. Lá pelo meio vinham uns maravilhosos extras, para que a sensação de estar de novo em casa se prolongue para além das suas estadias: bacalhau, alheiras, presunto, amêndoas e folar da Páscoa, biscoitos, presentinhos, revistas... mimos raros por estes lados, e que vão fazer as delícias dos próximos tempos (muitos, porque há que gozar bem cada um deles!)
Então sobre a primeira parte da viagem:

Carro onde cabem 6 mulheres tem que dar para 6 (??) malas, daí o nosso ser mais um pequeno autocarro (e tantos problemas nos deu...)

Pelos caminhos da "Panorama route", assim é a África do Sul...


E já no Blyde River Canyon, que é o terceiro maior canyon do mundo, as Lisbon falls,

...e as Berlin falls...

O difícil (mas promissor) caminho...


...até God's window!

Os Bourke's luck potholes!


E o Kruger park, que nunca desilude...




E onde vimos, finalmente, um "gato"...

Um leopardo, a lamber os bigodes, após a refeição.

O rio Olifants, visto do campo onde ficámos alojadas.

E mais alguns habitantes...


Este macho seguia atrás de uma grande família, e parou várias vezes para nos mostrar de quem era, afinal, esta estrada...
"-Parece que ainda não percebeste que quem manda aqui sou eu... beeeeemmm..."

O caminho até Chókwè não ficaria completo sem mais uma aventura, fruto das condições duvidosas em que nos entregaram o carro...
Mas a verdade é que, quando chegou a ajuda, já tínhamos mudado o pneu! Ah e tal, isto parece que encaixa aqui, o pneu deve estar mais ou menos por aqui, uma puxa, a outra descobre mais uma alavanca, e pronto! Mais do que músculos, 5 cérebros a trabalhar em conjunto!

E a viagem ainda não ia a meio...! :)
Amanhã há mais!

Frio?

    Há uns anos, quando fui viver para a Alemanha, preparei-me com um mini-dicionário ilustrado de alemão. O que aprendi não foi suficiente para evitar estar em frente à prateleira dos congelados, dicionário na mão, à procura de outra coisa para além de schnitzel... Ou à frente da máquina de lavar roupa, dicionário na mão, mãe ao telefone, a escolher tecido e temperaturas de lavagem adequados... Mas houve uma frase que deixei para trás, porque tinha a certeza de que não ia precisar dela: "Está um lindo dia de sol!". Arrependi-me, porque afinal o sol chegava a Wolfenbüttel, e quem não chegou foi a schnee...
    Para o changana não há dicionários ilustrados, e a única gramática que há é tão grande e complicada que cansa só de olhar... Mas eu fui construindo o meu pequeno auxiliar de memória, que tento rever a cada vez que lá vou acrescentar mais alguma coisa. E desta vez, lição aprendida, não desprezei situações pouco prováveis! Esta semana, pela primeira vez desde que cheguei, pude dizer "Ni twa xirami...".

     Parece que começou o inverno... mas um inverno sem lareira, sem casacos, sem chuva, sem cachecóis e sem gripes...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Férias!

É já amanhã que chegam as minhas visitas, e partimos para dez dias de passeio! Vai ser tão bom!! Uma voltinha considerável pelas redondezas, com direito a natureza, vida selvagem, civilização e praia. Seis mulheres à aventura! Mas uma aventura sem muitos riscos... que não queremos ninguém a dormir ao relento porque a guia turística se desleixou com as marcações... E por isso, os últimos tempos têm sido de pesquisas pela net e marcações de hotéis. Enfim, está tudo pronto! E não foi difícil, entre muitas alternativas... Só houve uma hesitação, rapidamente resolvida... era um "hotel", na África do Sul, onde os quartos são casas nas árvores! Pareceu-me tudo óptimo, mas enquanto explorava o site, encontrei isto... (mais precisamente, "aquele" cantinho disto.)


Muito sentido de humor, e tanta honestidade...!
Mas não marquei... ficava muito longe... ;)

domingo, 25 de março de 2012

Fauna&Flora #2

Muito comuns por aqui: borboleta gigante numa flôr a que chamam "beijo-de-mulata".


 

O mito do mulungo

 Quando tenho trabalho de campo, faço mesmo trabalho de campo: carrego sacos, estico lençóis, dobro lençóis, caminho todo o percurso entre as casas… E já por várias vezes fui alvo de comentários. As pessoas estranham que um mulungo ponha a mão na massa, em vez de estar só a supervisionar e, dizem, constantemente ao telefone! E então eu explico que não, que faço parte da equipa, que trabalho como os outros, e que não tem nada de estranho... e as pessoas sorriem, e apertam-me a mão, em sinal de aprovação.








Ontem de manhã, outra situação de mulungo... A fila da padaria acabava no meio da estrada. E foi para lá que eu fui, atrás de umas vinte pessoas. Não estava lá nem há 5 minutos quando uma senhora, a que atendia ao balcão, veio cá fora e me perguntou: “quantos pães são?” Contava atender-me ali, no meio da rua, no meio da fila que entretanto já tinha crescido… e eu ri-me: “ainda não sei, mas estou na fila, obrigada!”. Gerou-se uma conversa ali à volta, num misto de changana e português, mas que eu adivinhava sobre quem era…: “faz bem, na fila, igual a todos…” E o mesmo sorriso, de espanto, que logo passou a uma animada conversa! Ainda demorei uns vinte minutos, bem que torrei ao sol, mas soube tão bem! Voltei com uma sensação boa, de que alguma mensagem ficou, e com um sorriso de missão cumprida…! Ah, e com pão quentinho para o matabicho!